UMA PAUSA NA RAZÃO E MEU DESCANSO NA LOUCURA

domingo, 24 de julho de 2011

Chovendo

O dia amanheceu chovendo.
E minha alma também.
Uma pulsão me empurra para fora,
Mas eu me enclausuro aqui dentro.
Dentro das mesmas perguntas.
Dentro das mesmas ausências.
Dentro do meu desalento.
Do cansaço de se dar sempre sem reservas,
E ainda assim não conseguir
saber quem se é.
Soube um dia?


Receber

"A solidão é um campo demasiado amplo para ser atravessado a sós..." Lya Luft

Hoje preciso de sussurros no ouvido, dizendo que não estou só sozinha. De um abraço apertado, longo, demorado, de um beijo na testa, e muitos beijinhos na alma, de uma mão em meus cabelos, sentindo-a vagarosamente, e de ficar em silêncio. Preciso de olhos nos olhos, tranquilos e serenos, de recostar a cabeça em um peito que me entenda e me aceite, e não me faça perguntas, mas faça meu corpo se desmanchar em seu colo de paz. Preciso enxergar em algum semblante e perceber nas palavras de alguém que o meu vazio pode ser compartilhado, e as minhas buscas todas terem pausa nos cuidados, nos simples gestos de amparo que eu preciso e mereço receber. 

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Eu


Sou leve.
Fique tranquilo, não vou pesar em você.
Carrego comigo o desejo de ser e fazer feliz.
E me basta.

Sou simples.
Não tenho pretensões
As quais você não possa alcançar.
Sei reconhecer uma entrega e o mais importante,
Sei amar.

Sou forte.
Já lutei em batalhas que você nem imagina,
E pra falar a verdade, não preciso mais me testar.
Já provei minha coragem e ousadia,
E agora só quero a alegria.


Estado líquido

Demorei muito pra começar a chorar pelos motivos certos.
Agora quando abro a torneira, é uma cachoeira.
Mas não me entorno com essa água toda que derramo...
É só amor em estado líquido!
Sou eu me reerguendo, me refazendo, reconstruindo.
Acho que minha vida gira mesmo é em torno disso:
Amor e Reconstrução.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Insônia




Amanhã, ou melhor, hoje, vou dormir o dia todo. Mas antes vou me acordar pela madrugada. Sinto demais, numa proporção estranha se comparado ao que penso, e ainda assim anoiteço, estremeço, enlouqueço, amanheço, desfaleço. Entre sustos, perdas, medos, a alegria da vida! São assim os dias. E as noites: incoerentes como eu. 
 
 

terça-feira, 19 de julho de 2011

Do que eu quero

É do teu sorriso que eu tô querendo um pedaço,
e uma parte dos seus sonhos também, 
e sua voz cantando no meu ouvido, 
e esse cheiro seu que não precisa de perfume, 
e o seu jeito meio sem jeito de me olhar com desejo.
E olha, bem que eu queria também tua mão misturada na minha, 
e minha cabeça recostada em teu peito, 
queria um abraço sem fim em minutos intermináveis 
da gente se olhando, se lendo, se tocando, se querendo, se amando...
Eu tô querendo mesmo é te achar de novo
e me perder mais uma vez em você, 
porque só quando você se joga em meu inteiro domínio
e eu me distraio em seus braços 
é que a gente se percebe exatamente como é. 
Ou melhor que isso, exatamente como quer ser.

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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Estrada de chão

Há um pedaço de estrada de chão dentro de mim.
Quando o atravesso, o movimento levanta poeira
E meu corpo sacode.
Dá mais trabalho viajar assim.
Mas são nesses trajetos que o coração explode.
O olhar se torna mais doce e cuidadoso,
Descobre-se as mais belas paisagens.
E eu me apaixono não mais pelo destino,
Mas pelas viagens!

domingo, 10 de julho de 2011

Tem hora

Tem hora que parece que o coração vai desabotoar,
e dele saltar o que estava guardado a sete chaves,
a duras lágrimas, a lutas insanas e inconscientes.
Tem hora que o amor mostra a que veio,
e o que realmente é capaz de fazer em nossa vida.
Tem hora que o incerto fica claro, mesmo continuando incerto,
e o presente fica raro,
e não se pode mais abrir mão do sentimento tão perto.
Tem hora que não há escolha:
ou nos abrimos por legítima vontade
ou a vida nos abre a força.

domingo, 3 de julho de 2011

Amor pega


Amanheci lotada de amor. Abarrotada, inundada, tanto que não cabia em mim, saltava aos olhos. E disse sim sem hesitar, com uma segurança nas palavras que não era minha, uma certeza de que era o certo a ser feito, certeza tão certa que definitivamente não sei de onde a tirei. Foi mais para dentro e menos pra fora que olhei. Estarei enlouquecendo? Ou agora é que me curei? 

Por enquanto o que sei é que com tanto amor no peito e ausência de explicações no coração, ele, este companheiro de sempre, sorri para mim. Bate palmas porque me vê inteira nesta história. Aberta. Tranquila. Vivendo o que canto e cantando o que vivo.

Por isso, se não quiser se envolver fique longe. 
É contagiante e contagioso o que estou sentindo. Pega. 

Fragmentos


...Olha, não sou explicável mesmo, quando fui feita houve uma alteração cromossômica em relação a base que me sustenta, ao jeito de ver e sentir as coisas, a minha indefinição como sujeito... E eu adoro isso!
 
...Eternamente indefinida sobre onde chegar mas totalmente segura sobre como quero chegar, seja onde for, estou aqui de novo elaborando as mudanças.
 
...A vida te tira do lugar, te empurra da zona de conforto para o desafio inesperado. Para que você continue vivo. Salve salve a vida! 
 
...A não ser que queiramos aceitar ainda em vida a condição própria da morte, a inércia, é necessário resignificar a existência constantemente e estar atento aos sinais de que é o momento de caminhar. Se aceitamos isto, inevitavelmente aceitamos também o outro eu que existe em nós e que não conhecemos ainda, que precisa de nossa autorização para se fazer. E então nos colocamos em movimento. Que seja em direção ao bem. Sempre!...