UMA PAUSA NA RAZÃO E MEU DESCANSO NA LOUCURA

sábado, 24 de dezembro de 2011

Amores maduros

"Em última análise, precisamos amar para não adoecer."*

Quando reeditamos as dores do passado elas podem ser superadas, se damos outro significado às nossas trocas afetivas na vida adulta. Como não somos mais a criança frágil e dependente, e é fundamental lembrar isso sempre, o amor pode passar de algo incerto na mão do outro a uma condição escolhida, na medida em que me disponho a oferecê-lo sem garantias de retribuição. E faço isso partindo do princípio de que já o possuo por mim, em minha essência. É o amor próprio construído ao longo da minha existência, e que posso compartilhar.

O êxtase dessa experiência... o amor correspondido.
Quando acontece, nos fortalece para a vida!
Afinal, "como fica forte uma pessoa quando está segura de ser amada!"*

* Freud

sábado, 17 de dezembro de 2011

Rendição

Por algum tempo o que fizeram foi disputar a razão
e buscar em vão a ponta do nó para desfazê-lo.
Falavam em tocar a música em outro tom, achar
a rima perfeita que melhor completasse o verso.
Como se um dos dois pudesse alterar
o curso das águas em que estavam imersos.
Sem saber que não era ele e nem ela,
mas o amor quem estava certo.
E quando deram conta não houve outra saída
a não ser corresponder ao apelo da vida. 
Coisas do coração. 
Experiência de rendição.
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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Dois

Somos dois mesmo quando somos um,
E somos mais e melhores quando
Capazes de, diferenciadamente,
Eu ser eu ao lado teu,
E você ser você,
Sem deixar de ser meu.
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domingo, 27 de novembro de 2011

A falta

Sinto sua falta.

Falta da presença, do corpo, da voz.
Mas muito mais falta daquele olhar
que você tinha me dado de presente
ao ver em mim o que de melhor eu tenho.

Sinto falta de me permitir a entrega
e de não ter vergonha de dizer o que sinto
nem receio ou medo de qual será sua reação,
mesmo quando eu penso diferente em qualquer situação.

Sinto falta de ter brigado pra valer quando senti raiva,
quando me senti abandonada,
quando não concordava, ao invés de apenas
dizer pouco ou quase nada sobre meus temores.

Sinto falta de conseguir ser eu mesma de novo,
desde que decidi por conta própria
que isto não estava sendo bom para você,
e que por isso eu deveria deixar de ser.

Sinto falta de encontrar uma forma
de voltar a te arrancar sorrisos,
porque para mim se não for assim
não terá mais sentido.

Sinto falta de você e de mim,
do "nós" que estávamos construindo,
e dos nós que foram nos unindo, amarrando um ao outro
com laços de cuidado, verdade, cumplicidade e amor.


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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O fim que não aconteceu

Era para ser o fim.
Era dia de despedida.
Era para acabar o que só começou
antes de amadurecer e virar realmente...amor.
Mas esqueceram-se de quão surpreendente
costuma ser não o amor, mas a vida.
De repente a lucidez e então a certeza
de que haviam outras coisas precisando acabar.
Não a relação, o afeto, a entrega.
Mas a submissão, o esquecimento de quem se é,
o abandono do que se acredita ser essencial
e que por pouco quase se perdeu:
a fidelidade ao que move o ser,
a perseverança aos ideais que alimentam as tentativas,
o respeito a si mesmo em primeiro lugar.
Na tentativa de atender as expectativas alheias,
havia se instalado silenciosamente
a renúncia aos princípios construídos
nas aprendizagens anteriores,
nas relações vividas, por diversas vezes sofridas,
exigindo concessões desnecessárias.
Aprendizagem de que é preciso encontrar o equilíbrio
entre sustentar nosso desejo
e identificar as situações nas quais é preciso abrir mão.
Reivindicar o coração que é nosso por direito,
ou aceitar as limitações, desistindo de ter razão.
Mas jamais, nunca, cobrar o que se dá de graça,
o que é semeado no vento*,
que Drummond* chamou de amor.
E diante do fim que não aconteceu,
a surpresa feliz do reencontro com o eu,
na hipótese de que o amor próprio,
nome usado para traduzir o desafio
de se lançar sem se esquecer e se entregar sem se perder,
permita ao meu coração continuar amando você.

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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Ele

Então ele disse, quando ela menos esperava.
Deixou sair as palavras que o coração recitava.
Corajoso, não conteve o suspiro.
Falou firme e doce bem no pé do ouvido.
Desistiu de disfarçar o que sentia.
Ofereceu de presente sonhos e alegria, ela merecia!
Depois disso se ajeitou.
E se entregou.
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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Provar da felicidade

“Foi preciso paciência - e um outro tempo - 
amadurecendo um fruto para colhê-lo doce, suave, 
terno e delicado. Simples como naturalmente é.”  
Cristiana Guerra

Quero muito e cada vez mais que seja esta a nossa história.
Viver tudo o que temos direito, sem preocupar em ser perfeito,
antes que se transforme em apenas lembrança na memória.
Quero preservar a simplicidade, a cumplicidade, a sinceridade,
e não ter medo de perder, de sofrer...
Quero a entrega despojada e livre que nos devolveu um ao outro,
porque no fundo do meu eu, eu sempre quis esse pedaço seu.
Quero só ser feliz, amor...  amor que não é meu, mas que é amor.
Continuar sendo.
Quer ser feliz comigo?

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Verdade escondida

Na hora do amor,
pra onde é que você corre?
Na hora da dor,
qual pedaço de você morre?
O que você faz
quando se sente perdida?
Como encontra o caminho
em direção a saída?
Em cada encontro e nas despedidas,
Nas chegadas ou partidas,
Quais sonhos alimentam sua vida?

Sobreviva!
Mas não faça apenas isso com os seus dias.
Descubra antes do fim a sua verdade escondida.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Harmonize-se


Tenhamos paciência com o processo de amadurecimento 
daqueles que amamos, mas tenhamos ainda mais conosco.

Porque estamos sempre construindo as mudanças em nós, é natural 
que em algumas situações prevaleça o sentimento de inadequação.
Entretanto, o cuidado com o outro aliado ao amor próprio 
precisam ser maiores.

O amor nos coloca de frente com as nossas limitações.
Mas é justamente no encontro despojado e verdadeiro 
que aprendemos a cuidar das nossas fragilidades,
sem contudo nos submeter a elas. 

Na oferta recíproca de nossos afetos se dá a descoberta 
do melhor de quem somos e de quem ainda seremos. 
A cumplicidade e a entrega generosa e sincera 
inauguram novas possibilidades de harmonia.



domingo, 2 de outubro de 2011

Outubro

Quando dei por mim outro mês chegou,
e o amor me disse que era um novo dia.
Foi assim que outubro começou,
trazendo versos, sons, e a sua companhia.
Inaugurou enfim a primavera 
que não aceitou setembro para acontecer.
E o meu coração, sereno e leve,
 permitiu-se ao lado do seu florescer!